29 de abril, dia internacional da Dança!

Parabéns a todos aqueles que dançam!
Parabéns a todos aqueles que dançam!
O 29 de abril, Dia Internacional da Dança, ainda é uma efeméride nova e mesmo desconhecida para muita gente. Embora tenha sido instituída em 1982 pelo CID (Comitê Internacional da Dança) da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), só começou a ser realmente lembrada no Brasil nos últimos anos. Cada vez mais, no entanto, artistas e profissionais da área reconhecem que é importante celebrar a data para, inclusive, dar maior visibilidade à dança, lembrar de sua importância e de suas demandas. Ao criar o Dia Internacional da Dança a UNESCO escolheu o 29 de abril por ser a data de nascimento do mestre francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), um reformulador cuja obra conta com um estudo precioso de Marianna Monteiro, no livro Noverre, Cartas sobre a Dança, publicado em 1998 pela Edusp. Por coincidência, entre os brasileiros a data também pode estar associada ao aniversário de uma personalidade de indiscutível importância: Marika Gidali, a bailarina que, com Décio Otero, fundou o Ballet Stagium em 1971 em São Paulo, para inaugurar no Brasil uma nova maneira de se fazer e apreciar dança. Neste ano, a UNESCO comemora o Dia Internacional da Dança em consonância com o Ano Internacional de Reaproximação das Culturas, conforme a ONU (Organização das Nações Unidas) está identificando 2010. Dentro desse contexto, Irina Bokova, nova diretora geral da ONU, propõe uma visão universal, que ela chama de “novo humanismo”. Ou seja, uma visão aberta para a comunidade humana como um todo, capaz de proporcionar uma resposta humanista para a globalização e a crise, objetivando a salvaguarda da coesão social e a preservação da paz. “A dança, por ser parte central de todas as culturas, constitui o meio ideal para aproximar pessoas de diferentes países”, diz Bokova. “Não há melhor meio do que a dança para ilustrar vividamente a diversidade cultural e incorporar a reaproximação”, ela enfatiza. Por conta do Dia Internacional da Dança, o Conectedance consultou artistas e profissionais da área para que se manifestassem sobre questões como o significado da data, a importância de comemorá-la, o que de fato se comemora em um país como o Brasil, o que essa celebração pode trazer para o setor. Leia abaixo as respostas, obtidas por e-mail ou por telefone (a relação de nomes está em orgem alfabética). . Adriana Grechi, coreógrafa, diretora do Núcleo Artérias e do Festival de Dança Contemporânea de São Paulo: “O significado do Dia Internacional da Dança é celebrar e chamar atenção para a existência e importância da dança como manifestação artística. Acho importante comemorá-lo para criar visibilidade para as diferentes danças e suas necessidades. Mais importante ainda é tornar visível o debate sobre a ausência de reais políticas públicas para a dança (editais não substituem programas de políticas públicas). O que comemoramos de fato é a potência da dança e sua importância para a sociedade na qual está inserida.” . Adriana Pavlova, jornalista especializada em dança, colaboradora do caderno Ilustrada do jornal Folha de S.Paulo: “Eu pessoalmente não acredito neste tipo de data comemorativa mas, no caso da dança, se a ocasião acabar servindo como uma chance para novas discussões e reflexões sobre as políticas públicas para a área, os festejos são bem-vindos. Se a comemoração for encarada como um ato político, se conseguir unir profissionais para mais discussões sobre a dança hoje, principalmente sobre as políticas públicas, envolvendo inclusive autoridades, poderá efetivamente surtir efeitos mais amplos.” . Alexandra Itacarambi, curadora de dança do Centro Cultural São Paulo: “O Comitê Internacional de Dança, órgão ligado à UNESCO, foi extremamente feliz ao instituir 29 de abril como o Dia Mundial da Dança. Por mais demagogas que as datas comemorativas possam parecer, elas conseguem realmente sensibilizar um público maior e os veículos de comunicação em torno de um tema que nem sempre é abordado com a mesma profundidade em outros momentos. A data ajuda a promover reflexões e discussões que ultrapassam a comunidade da dança e reverberam para um público maior. O próprio Centro Cultural São Paulo pode servir de exemplo positivo neste sentido. Na mesma semana em que o mundo inteiro celebra a data, iniciamos o Semanas de Dança – Diálogos, projeto de temporadas de dança com um formato inédito. Novas possibilidades de interação com o espaço, novas linguagens, novos “consumidores” para a dança, novas zonas de troca com outras manifestações artísticas, enfim… um período de vivência efetiva da dança que nasce nesta semana de comemoração. Um momento de mobilização e sensibilização que corrobora com os anseios da dança no mundo contemporâneo.” . Cássia Navas, pesquisadora, ensaísta, professora do Instituto de Artes da Unicamp (Universidade de Campinas): “O Dia Internacional da Dança é uma data afirmativa para a dança, uma maneira de marcar o território de um campo, para afirmar seus valores e importância de forma organizada e no maior número de locais do planeta. A comemoração possibilita visibilidade, debate e encaminhamento de propostas interessantes, que podem abrir horizontes novos. Sua escolha, no dia do nascimento de Noverre, sistematizador da dança de sua época, em busca de um maior protagonismo para esta arte, aponta para este sentido.” . Helena Katz, crítica de dança do jornal O Estado de S.Paulo, professora no Curso Comunicação nas Artes do Corpo e no Programa em Comunicação e Semiótica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo): “O Dia Internacional da Dança é importante como mais um espaço de mobilização em torno deste assunto. Por conta da dança ter tão pouca visibilidade social neste momento, a comemoração traz uma visibilidade interna, o que também é necessário porque nos estimula a refletir sobre este problema, sobre o que faremos até o próximo ano para melhorar a situação. A data representa uma oportunidade para que se desenvolvam estratégias políticas de comunicação. Mesmo não sendo uma data com a repercussão de um dia das Mães, é importante planejar para que no próximo ano o cenário seja diferente, para que a dança tenha visibilidade cada vez maior.” . Hulda Bittencourt, fundadora e diretora da Cisne Negro Cia. de Dança: “Existe data para todas ou quase todas as comemorações. Nada mais justo e louvável que a dança também tenha a sua. A data faz lembrar que a dança é importante para a nossa cultura, que é uma arte que dá alegria para as pessoas, que estimula a sensibilidade. Dá muito trabalho para quem produz, mas muito prazer quando feita com amor, o que eu confirmo na prática: depois de 33 anos produzindo dança, garanto que continua valendo a pena. A data ainda precisa ser mais festejada no Brasil, lembrando que a dança é sinônimo de cultura, educação, prazer, beleza.” . Marcos Moraes, bailarino e coreógrafo, ex-coordenador de dança da Funarte (Fundação Nacional de Artes): “O Dia Internacional da Dança começou a ganhar importância no Brasil por conta dos ataques perpetrados pelo ConFef (Conselho Federal de Educação Física), que tentou subordinar o ensino da dança a seu controle e fiscalização. Como reação, esse dia foi convertido em Dia D da Dança, uma data nacional de protesto e defesa da dança como área autônoma de conhecimento e expressão artística. Creio que a importância de comemorá-la ganha algum sentido por tratar-se de um momento de unidade simbólica e concreta, surgida, entre nós, como estratégia de luta. Assim, em muitos lugares do Brasil são desenvolvidas atividades para dar visibilidade à dança, suas conquistas e demandas. E ajuda-nos essa ideia de um coletivo que, em meio à sua grande variedade e especificidades, sabe encontrar uma voz comum para lembrar ao mundo que os saberes do corpo são uma força que transforma as vidas de todos os que a eles têm acesso. Tudo é movimento. Tudo é dança.” . Mariana Muniz, atriz, bailarina, coreógrafa, fundadora e diretora da Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança: “O Dia Internacional da Dança deveria significar que a dança merece ser lembrada e comemorada como uma arte que diz respeito a todos os cidadãos do nosso planeta. Deveria ser uma data para a lembrança de uma relação harmoniosa e artística com o nosso corpo. Mas, também poderia ser um dia para protestar contra o esquecimento a que os profissionais dessa arte tão difícil estão submetidos em países culturalmente tão pobres como o nosso Brasil. Para mim, o que de fato se comemora no Dia Internacional da Dança é a possibilidade de sermos lembrados como artistas da dança cênica. Alguns anos atrás fiz algumas intervenções nesta data, com alunos meus na Faculdade de Dança e Movimento Anhembi-Morumbi, no saguão da universidade (Campus Centro), como forma de lembrar aos estudantes de outras áreas que a dança é uma arte que merece o olhar atento das pessoas e que não necessita se restringir aos espaços dos teatros. Não sei qual a força que poderia advir de uma comemoração organizada, onde houvesse espaço inclusive para reivindicações da classe… Talvez aí tivesse uma efetividade maior em termos de ativação da memória artística dançante deste país. . Marika Gidali, bailarina, fundadora e diretora do Ballet Stagium: “Acho que qualquer dia que junte a classe é interessante. Uma data especial da dança é uma forma de pensar, repensar, de comemorar uma expressão viva. Cada dia que sobrevivemos como artistas da dança é uma grande comemoração no Brasil. Cada dia é um desafio, que nos pede sempre forças para lutar por essa arte.” . Marina Guzzo, bailarina, pesquisadora, assistente da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo: “As datas comemorativas geram visibilidade em torno de um tema. Especificamente para a dança, serve para legitimar as ações que já ocorrem, criando maneiras de mobilizar a sociedade para a importância dessa manifestação que faz parte do patrimônio cultural da humanidade. Este dia proporciona troca e diálogo sobre a situação da classe, favorecendo a  criação de um espaço de discussões e apresentação de propostas. Mas mais importante que isso, o Dia Internacional da Dança relembra nossa possibilidade expressiva, a beleza do corpo em movimento e a grande alegria que é poder dançar. Seria bom se a gente dançasse um pouco, todo dia. Acho que o mundo seria um lugar melhor.” . Maurício de Oliveira, bailarino, coreógrafo, fundador e diretor da Cia. Maurício de Oliveira e Siameses: “O Dia Internacional da Dança serve para nos lembrar dessa arte que celebra a existência do nosso instrumento de ação no mundo: o corpo. Além disso, nos lembra de todas as implicações que surgem a partir do reconhecimento dessa nossa ferramenta de comunicação, que se transforma na medida em que os tempos também se transformam. Mais do que a questão da estética do corpo, para mim o mais primordial é observar o quanto lapidamos nossos sentidos e nossa capacidade de interação através da mobilização espiritual e do desvendamento de dimensões que vão além daquelas tidas como existentes. A questão na dança, para mim, é: o corpo e seu avesso, a matéria e a invisibilidade.” . Mirtes Calheiros, bailarina, professora, socióloga, diretora da Cia. Artesãos do Corpo e coordenadora artística do Visões Urbanas – Festival Internacional de Dança em Paisagens Urbanas: “A data só ganha significado e sentido na medida em que outras ações façam com que o motivo da comemoração – a dança – esteja presente no cotidiano das pessoas, e não só dos artistas, durante todo o ano. O que quero dizer é que não adianta ter o dia da árvore se continuamos a ignorar quantas são destruídas por segundo, ou o dia do índio se as nações indígenas continuam sendo ignoradas e desrespeitadas em seus direitos, ou o dia da dança se esta continua a receber tão pouco espaço nos meios de comunicação, nas escolas, nos planos de governo, além das míseras políticas públicas para o setor. Aí o dia fica apenas uma data como outra qualquer. É importante comemorá-la, sem dúvida. Nossa sociedade abandonou alguns rituais e festas e isso nos empobrece. Comemorar significa reunir pessoas em torno de alguém ou algo que faça com que nos reconheçamos como iguais em nossas individualidades. Quando reunimos pessoas nos reconhecemos naquilo que fazemos e fortalecemos a arte em questão. O que de fato se comemora, hoje, é a resistência e teimosia de um monte de gente que rema contra a maré e continua dançando apesar de tudo. A comemoração do Dia Internacional da Dança deveria reunir pessoas que dançam para exigir respeito aos seus trabalhos e à dança como um segmento artístico essencial para o desenvolvimento da sociedade. . Monica Bammann, programadora do TD – Teatro de Dança de São Paulo: “As datas comemorativas são importantes para que, num ato eventual, possamos reforçar um movimento cotidiano, não visto ou percebido pelas pessoas em geral. No Teatro de Dança, programa público específico para a dança e em constante permanência, ao contrário de um evento, difundimos o seguinte lema: todo dia é dia de dança. Para, quem sabe, possamos um dia conseguir fazer da vinda do público à dança um ato semanal e, por que não dizer, diário.” . Sandro Borelli, bailarino, coreógrafo, diretor da Cia. Borelli de Dança: “Esta comemoração deveria ser importante, poderia ser uma data de muitas manifestações pelo país, por uma verdadeira política pública para a classe. É muito importante comemorar o Dia Internacional da Dança, para que possamos conseguir demarcar nosso espaço no cenário político. O que de fato se comemora nesta data é a resistência, a perseverança, a indignação. Se a classe se unir de verdade em torno dessa comemoração, poderá pleitear melhoras significativas. Só acredito em manifestações como mecanismo de pressão ao poder público e sem essa de serem pacíficas! Só assim seremos ouvidos e percebidos de verdade!”. . Sônia Mota, bailarina, coreógrafa, professora, atual diretora artística da Cia. de Dança Palácio das Artes de Belo Horizonte: “Como profissional talvez seja importante comemorar o Dia Internacional da Dança. Mas, só se TODOS se mexerem nesta ocasião. Só se todos fizerem neste dia um grande movimento em todas as cidades, todos os estados, todos os países. Porque quem não é da dança nem se dá conta de que 29 de abril é o dia da dança, assim como nem nos damos conta de que 27 de abril, por exemplo, é o dia da empregada doméstica.” Fonte: http://www.conectedance.com.br

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